26.12.10

Dizer que é meu

O menino fazia isso todas as vezes que tinha a oportunidade e ele adorava ter oportunidade. Começava batendo a porta do quarto. Seguia-se dele colocando os fones de ouvido e se imaginava matando a própria familia enquanto Nine Inch Nails lhe dava coragem.

"A fámilia é o que a gente tem de mais fácil pra matar"
ele escreveu um dia em um caderno de uma série que ele já superou.
o que ele não superou foi o desejo de matar.

Sempre achou uma bobeira essa besteira de escrever para expor sentimentos, ele, gritava e batia. Em quem quer que fosse, com quem quer que fosse. Achava que achavam que ele era a ovelha negra da família, mas só era imaturo demais pra saber que na verdade a família só o considerava doente.

Ele tinha 15 anos, mas aparentava ter 12, aparentava uma menina de 12.

Na sua cama ele chorava tentando empurrar o ódio que sentia pra dentro de si mesmo, sem saber que esse ódio, um dia, sairia muitas vezes pior.

Mas talvez não com ele.

Eu não preciso dizer que o ódio que Oscar sentia pelas outras pessoas vinha de uma ignorância, que talvez nunca venha a ser superada. Oscar nasceu fadado a odiar os outros e sofrer por isso. Era muito orgulhoso pra admitir que sofria, mas era inocente demais pra saber que esse sofrimento era aparente no seu jeito de agir.

Oscar era diferente em sentidos que eu nunca consegui destinguir.
Oscar era o menino que todos adquirem um medo depois de arranjar um apelido, assim, por impulso.
Oscar era vingativo, mesmo sem necessidade, e orgulhoso demais pra colocar suas vinganças em prática.
Vivia de sua auto afirmação. Dizer pra si mesmo que que tudo aquilo era bom e que era o jeito certo.