30.11.10

Oliviando

Ele, deitado no chão de madeira da casa de veraneio da família, nem precisava de alucinógenos pra viajar com aquela música. As notas da mulher lhe apareciam na vista. Viajava.

Degustava a madeira com as mãos enquanto insetos lhe sugavam o sangue. Ali naquela casa, enquanto sua família se divertia do lado de fora, ele, apático, tinha a casa inteira pra si. Mas ele nem precisava, precisa da paz que aquele chão lhe transmitia. Só precisa ficar ali parado sem ter que desprezar ninguém, sem ter que não se importar com ninguém.

Praticava isso todos os dias no seu quarto e agora tinha um chão novo para faze-lo.

A mulher parou de tocar e a realidade entrou pela porta da frente juntamente com sua família.
Por Olívio.